O que
seria da sua vida sem sua melhor amiga? Ela tá sempre lá quando você precisa,
vocês conversam todos os dias, falam sobre a vida, o universo e tudo mais. Você
sabe dos garotos com quem ela ficou, ela sabe suas peças de roupa favoritas. A
mãe dela gosta quando você vai almoçar lá e os seus bichinhos de estimação já
estão acostumados quando ela vai dormir na sua casa. Não existiria amizade mais
linda, nem se colocassem um filtro de Instagram no mundo!
Mas
tem dias que nem seus melhores amigos dão conta de te entender. Nem você mesma
consegue se entender. Namorado então, menos ainda! Nessas horas, a gente se
volta pra dentro, se fecha na concha e fica lá pensando, sofrendo, ardendo e
odiando. Nem mesmo todos os anos e conversas com a sua BFF dão conta de
preparar algum terreno pra esse tipo de conversa. São coisas muito íntimas ou
muito complexas, que não combinam com o que vocês têm. Vocês falam sobre muita
coisa, sim, mas esse determinado assunto ela não manja, ou não gosta de falar.
Seja sobre escola, faculdade, trabalho, família… Tem algum tema que fica numa
gaveta da amizade que ninguém nunca abre. Nem você, nem ela.
Então,
o que resta é ouvir muita música e refletir sobre tudo sozinha. Até que um dia,
por acaso, você reencontra aquela sua amiga que você gosta muito, mas que nem
sempre dá pra encontrar, ficar horas trocando novidades ou simplesmente almoçar
juntas. Às vezes é só uma amizade de diversão, daquelas que a gente fala só
sobre amenidades e fofocas. Parece que, no caso de uma separação, essa amizade
nem faria tanta falta assim. Não se comparada com a sua melhor amiga, seu
namorado, etc. Ela é super legal, mas mora longe, trabalha demais, tá fazendo
vestibular… Entretanto, coincidentemente, vocês se esbarram pelas calçadas da
vida.
Você
se pega falando sobre como andam as coisas e aquele dilema que tava se
escondendo do mundo inteiro nas profundezas obscuras do seu ser, de repente,
desliza pelas suas cordas vocais e… o gato saiu da caixa! Parecia muito mais
difícil falar sobre isso antes, mas agora falado, parece tranquilo. Só que a
maior tranquilidade mesmo vem instantes depois, quando a sua amiga de balada,
amiga de faculdade, amiga não-tão-chegada te entende completamente e ainda dá
um conselho sensacional. Ou então, se você já tinha pensado naquilo, mas estava
em dúvida, ela vai e te dá o empurrãozinho de que você precisava.
A vida
segue, vocês continuam se dando bem e gostando uma da outra, mas só se
encontrando ocasionalmente. Nada mudou, mas parece que aquele momento foi
plantado pelo universo pra que a sua decisão fosse tomada da melhor maneira
possível. Depois de uma ópera escura e angustiante, um haikai de brilho. O
holofote certeiro, apontando pra porta que esconde o prêmio.
É
claro que as melhores amigas são importantes. Só que na minha vida muita coisa
não teria saído do papel se não fossem esses episódios com amigos
não-tão-chegados. Parece que a nossa BFF é o narrador, que acompanha a história
toda e sabe de tudo o que acontece. Mas esses amigos esporádicos são os
personagens coadjuvantes, pensados com uma função específica (mesmo que a gente
não saiba). Eles aparecem na nossa vida sempre na hora certa: brevemente,
sutilmente e esplendorosamente.
Esse
texto é dedicado aos meus amigos não-tão-chegados: se não fosse por vocês, nada
disso existiria!
*Retirado do Depois dos quinze*

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